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Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.
Da mesma forma que entendi explicar previamente o projecto que me move, assim acredito que, terminada a primeira sessão de contos, deva deixar o balanço para que, juntos, possamos chegar à fórmula ideal para as crianças.
Em primeiro lugar, queria agradecer a todos por me terem “emprestado” por breves minutos os vossos filhos, por terem permitido que interferisse na “educação” daqueles.
Sou perfeccionista, não me satisfaço com o bom. Num grupo tão heterodoxo, sobressai o diferencial etário. Dizer que os mais novos se cansam muito depressa, que os mais velhos acabam por sofrer o contágio da impaciência, não justifica tudo. Crianças houve que, com sete anos, estiveram atentas do princípio ao fim, enquanto outros, mais velhinhos, manifestaram sintomático desinteresse.
Não adiantarei mais ao exposto. Pela minha parte, vou limar arestas, redefinir conceitos do produto apresentado, torná-lo mais cativante, desenvolver a comunicação e a verbalização: a qualidade dos contos justifica-o; a presença das crianças encoraja-me.
Esperarei por todos a 11 de Março: conheceremos o que aconteceu aos apaixonados Evânio e Florinda; descobriremos como reagiu o rei Rodrigo; ficaremos a saber o que levou os muçulmanos a invadir a Península Ibérica.

O trabalho iniciou-se com a elucidação os pais acerca do projecto em questão, tendo de seguida sido convidados a ceder os respectivos lugares na sala aos participantes de menor idade. O conto, por razões ligadas à sua extensão, dividido em duas partes, obteve a receptividade das crianças mais interessadas e, obviamente, algum desconforto dos mais pequenos ou menos atentos. No final foi proposto um tempo de perguntas abertas, que os mais velhos aproveitaram para colocar questões tão variadas, quão diferenciadas são as temáticas relativas à monumentalidade de Sintra, a Reconquista a partir das Astúrias, as Linhas de Torres Vedras ou as Invasões Francesas.

O desafio “Descobre o Vocábulo” recolheu um bom nível de respostas. Importa salientar que para além dos melhores pontuados, surpreendentemente três deles de idade não superior a nove anos, todos procuraram participar dando o seu melhor ou ajudados pela organização. Nunca será de mais repetir que o enriquecimento lexical que cada criança possa fazer ao seu nível escolar, é, no mínimo, tão importante quanto ganhar.

SOLUÇÃO DO CONCURSO:
Algoz – subs. masc.
Significado – Executor da pena de morte; carrasco; verdugo.
Sentido Figurado – Pessoa cruel.
Himeneu – subs. masc.
Significado – Casamento; festa de núpcias; bodas.
Solilóquio – subs. masc.
Significado – Fala que alguém dirige a si próprio; monólogo.
Após a primeira sessão, os melhores classificados são:
| Nome | Pontos Acumulados | Idade |
| João Machado | 25 | 8 |
| Carla Cardoso | 25 | 12 |
| Carolina Silva | 18 | 10 |
| Lorena Valente | 16 | 8 |
| Francisco Ferreira | 15 | 9 |
| Vera Ferreira | 15 | 10 |
| Matilde G. | 15 | 11 |

Corria o ano 710 quando Rodrigo foi entronizado rei dos visigodos. Vitiza, o anterior monarca, fora derrubado através dum golpe sanguinário. Posto que o sistema de sucessão entre os visigodos assentasse no mais forte e capaz, Evânio, filho de Vitiza, acabou por aceitar a eleição daquele de quem se dizia haver sido o algoz, isto é, o executor do assassinato do pai.
Ao princípio da noite, durante a cerimónia da coroação, apareceu no céu um cometa. Era enorme: a cabeleira cintilante ocupava grande parte do firmamento; o corpo parecia um rio de enxofre em fogo. Muitos entraram em pânico, crendo que era o fim do mundo, imaginando as mais horrorosas catástrofes: que o céu ia desabar sobre a Terra; que os mares engoliriam as cidades; e tudo o mais que os medos e a imaginação dos homens concebe. Nas igrejas, as gentes rezavam implorando a Deus a salvação e o perdão dos pecados. Porém, tão depressa como aparecera, assim se sumiu o cometa. O céu serenou, as pessoas deram graças ao Senhor, e a festa recomeçou como se nada houvesse sucedido.
Havia, contudo, alguém que não ficara descansado: Rodrigo, o rei. Acreditava que o céu lhe mandara um sinal, como que a dizer que a ruína cairia brevemente sobre os seus territórios.
Aterrorizava-se o rei com a ideia que o filho de Vitiza o pretendesse matar. Certo era que tinha os seus partidários, porém, o que Evânio mais queria era que se encurtasse o período de luto pela morte do pai, para poder casar com a sua apaixonada Florinda. Todavia o destino parecia querer discordar de tal desejo, pois, logo após o período de respeito pela memória do progenitor, justamente quando se ia anunciar a boda, morreu a mãe da noiva. Florinda tomou-se de tal dor que se negava a qualquer tipo de consolo. O tempo é, por norma, bom conselheiro, e a natureza acabou por suavizar as penas de quem tanto sofria. Aos poucos, Florinda regressou à vida e ao afecto pelo amado. De novo Evanio solicitou que se efectuasse o casamento o mais rápido possível.
Aconteceu que se o homem põe, Deus dispõe. Assustado com a proximidade de tal enlace, Rodrigo acabou a confessar ao seu conselheiro desejar Florinda acima de tudo, e, por tal, ambicionar impedir-lhe a boda. Acrescente-se que por seu himeneu, isto é, casamento com Egila, estavam desaconselhadas ao rei aventuras amorosas que pudessem escandalizar a corte, o que era notório no caso de Florinda, pois a rapariga era filha do conde Julião, irmão do anterior monarca.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.
INTRODUÇÃO
O projecto de trabalho não pretende concorrer com a disciplina de História e Geografia de Portugal. Quiçá, ainda assim pomposamente, se afirme complementar daquela. Aqui, seleccionam-se conteúdos não abrangidos pelo programa escolar; aprofundam-se perspectivas omitidas de factos históricos. Os contos, narrativas de ficção, originais ou adaptados, representam a forma encontrada para trazer ao grupo estórias interessantes, episódios humanos comoventes e invulgares, referências do nosso património histórico-cultural. Concentram intriga, espaço e tempo. Mas não só: buscam também a transposição possível para o presente dos princípios e valores, dos defeitos e das virtudes daqueles “que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando”.
Percorrer coerentemente a História de Portugal, entender o tempo, compreender a sociedade e os valores de antanho, constituem uma base para o conhecimento de hoje; assimilar a mensagem dos nossos antepassados, fará dos nossos filhos cidadãos conscientes e melhores homens.
Eis o que nos propomos.
PLANO DE TRABALHO
Estrutura:
# Apresentação e leitura de um conto com base na História da Península Ibérica.
Critério Temático:
# Descoberta de novos conteúdos e visões.
Metodologia:
# Recurso a acontecimentos do património ibérico;
# Dinamismo e vivacidade dos contos;
# Transparência da mensagem;
# Linguagem adaptada.
Objectivos Gerais:
# Desenvolver o interesse e o gosto pelo legado histórico;
# Estimular a curiosidade intelectual e a atitude crítica dos participantes;
# Incrementar o domínio vocabular;
# Fomentar a auto-estima e o estar lusitano na inter-relação com o mundo de hoje;
# Promover a afectividade experimental pela observação directa.
Público alvo:
# Jovens dos primeiro e segundo ciclos do ensino básico.
Meios e recursos previstos:
# Exposição e/ou narração por dinamizador;
# Novas tecnologias de informação: Blog específico;
# Deslocações ao campo (Em estudo).
Desafio:
# Prémio semestral em sistema de acumulação de pontos, destinado a recompensar as áreas de frequência e atenção às sessões.
# Diplomas a todos os participantes que atingirem o mínimo de 4 sessões por série.
Plano de médio prazo:
# Edição de publicação anual, contendo o relato dos contos, das experiências e das participações do grupo;
SELECÇÃO DE TEMAS
Primeira Série
Data: 11 de Fevereiro de 2017
Conto: “A Derrocada do Império Visigótico – Primeira Parte”.
Sub-título: “O pecado de Rodrigo”.
Mensagem: Ver Conto II.
Data: 11 de Março de 2017
Conto: “A Derrocada do Império Visigótico – Segunda Parte”.
Sub-título: “Em desespero de causa”.
Mensagem: Desunidos somos derrotados.
Data: 01 de Abril de 2017
Conto: “A Lenda de Afonso Henriques”.
Sub-título: “A troca dos meninos”.
Mensagem: O reconhecimento.
Data: 13 de Maio de 2017
Conto: “O Latrocínio Pio”.
Sub-título: “Um bispo ambicioso”.
Mensagem: O Empreendedorismo.
Data: 17 de Junho de 2017
Conto: “A desentronização de Sancho II”.
Sub-título: “A oposição entre o rei e o reino”.
Mensagem: A piedade.
Data: 08 de Julho de 2017
Conto: “Dinis e o Tratado de Alcanizes”.
Sub-título: “Um negócio exemplar”.
Mensagem: A lição da formiga.
ESTATUTO DO DESAFIO “DESCOBRE O VOCÁBULO”
Sistema:
Prémio semestral por acumulação de pontos.
Metodologia:
Cada conto encerrará três palavras em português “cuidado”. Postas as dificuldades de compreensão do sentido por parte de escalões etários tão jovens, o narrador utilizará no respectivo texto a expressão “isto é”, aludindo de imediato ao termo mais comum (língua padrão ou norma). Os participantes deverão apontar, em formulário próprio, cada um dos vocábulos supostamente desconhecidos, que entregarão ao dinamizador no final da sessão.
Objectivo:
Promover o enriquecimento do léxico pessoal.
Competição:
Por cada duplo conjunto de palavras encontrado: 5 Pontos (3+2).
Pelo grupo total (3 conjuntos de palavras correctas): 5 Pontos / Extra.
Presença em sessão: 5 Pontos.
Nota: Pontuação máxima possível por sessão: 25 Pontos.
Divulgação:
A organização do evento “As Voltas da História” informará, em sítio específico, via internet, a posição mensal actualizada.
Prémio final:
A definir em função da idade do vencedor.
Notas:
– A importância da repetição enquanto auxiliar de memória.
A partir do 2º conto, haverá um bónus extra de 1 ponto por cada vocábulo correctamente definido entre os apresentados na sessão anterior.
– O hipotético desempate terá por critério de primazia o participante de menor idade.
BLOG
www.dahistoria.blogs.sapo.pt
Por razões estratégicas, o apoio prestado na internet ao presente projecto encontra-se remetido no “sítio” da Biblioteca Municipal de Cascais Casa da Horta da Quinta de Santa Clara para o link acima mencionado.
Face à tipicidade do meio envolvido, somente uma parte de cada conto estará disponível ao público. Os potenciais interessados poderão usar o e-mail asvoltasdahistoria@gmail.com para solicitar os textos completos.
A lista de peças disponíveis para envio inclui:
– O conto apresentado;
– Aprofundamento do conhecimento histórico acerca do tema: “A factologia, breve interpretação da estrutura económica, religiosa e social”.
Nota:
Para efeitos de estudo posterior acerca da receptividade do projecto, solicita-se aos pais ou familiares das crianças envolvidas nas acções os seguintes dados:
– Tipo de peça(s) requerida(s);
– Identificação do próprio e do educando;

Para mais informações, queira por favor consultar o site da Câmara Municipal de Cascais em: http://www.cm-cascais.pt/evento/voltas-da-historia-hora-do-conto.
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