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Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.


Podíamos dizer que o bispo Gelmírez era intriguista, astuto, pouco escrupuloso; foi-o de facto, porventura não tão negativo como os valores do nosso século pretendem fazer crer. Porém, o bispo galego foi, acima de tudo, empreendedor. Definiu um objectivo; perseguiu-o sem reservas. Sonhou fazer de Compostela um centro de peregrinação; fê-lo. A atestá-lo, estão as centenas, os milhares de peregrinos que todos os dias afluem a Santiago, muitos deles ansiosos pela Compostela, documento comprovativo de haverem percorrido um dos seus tradicionais caminhos... Novecentos anos após a obra do tal Gelmírez nos dar a todos uma lição sempre actual do que significa o empreendedorismo.

Um conto com o seu quê de "thriller" a provocar a estupefacção, a surpresa, a ansiedade, o alívio da assistência de acordo com a evolução da história. A temática não estava prevista no plano original, porém, carências detectadas em sessões anteriores na compreensão do fenómeno religioso, levaram-me a tentar clarificar o papel da igreja católica no mundo medieval através da elaboração do presente conto. Diria que a evolução da cronologia histórica só é possível de efectuar após a certeza da ancoragem dos conhecimentos: a constância do grupo auxilia; as questões colocadas evidenciam.


CONCURSO DESCOBRE O VOCÁBULO
Como referira na sessão anterior, passei a valorizar a memória dos contos anteriores com peso idêntico aos vocábulos a detectar em cada novo conto. A consequência é óbvia: quem se preocupa em ir rever o que aprendeu, tem mais possibilidades de pontuar.
LISTAGEM DOS VOCÁBULOS:
| Algoz | = | Carrasco |
| Himeneu | = | Casamento |
| Solilóquio | = | De si para si |
| Cafua | = | Esconderijo |
| Pendão | = | Bandeira |
| Toledana | = | Espada |
| Cuvilheira | = | Camareira |
| Mortório | = | Funeral |
| Catre | = | Leito de Morte |
| Mata-cavalos | = | Rapidamente |
| Latrocínio | = | Roubo |
Recordo que a primeira série de contos encerra com mais duas histórias, a serem apresentadas a 17 de Junho e 8 de Julho, respectivamente, após o que serão distribuídos os prémios previstos.

CLASSIFICAÇÃO APÓS O QUARTO CONTO
| Nome | Pontos | ||
| 1º | João Machado | 101 | |
| 2º | Carla Cardoso | 95 | |
| 3º | Lorena Valente | 81 | |
| 4º | Carolina Silva | 73 | |
| 5º | Ana Sofia Carvalho | 72 |

AS VISSICITUDES RELIGIOSAS
Nos finais do século III Bracara Augusta foi promovida a capital da Galécia, posição política de grande importância no mundo romano. Também a sua diocese data daquele século, sendo, por tal, contemporânea da expansão do cristianismo na Península. Embora o mito popular atribua a S. Pedro de Rates a primazia no cargo, o primeiro bispo oficialmente nomeado para Braga é Paterno, cujo nome figura nas actas do I Concílio de Toledo, realizado em 400.
Ao tempo, a diocese possuía dignidade metropolita, com jurisdição sobre o Noroeste peninsular, sendo-lhe sufragâneos os bispados de Conímbriga, Viseu, Dume, Lamego, Porto e Egitânia. O período, fértil em mártires cristãos, deixou para a posteridade os santos bracarenses Víctor, Cucufate, Silvestre e Susana.
Por altura das invasões muçulmanas, Braga foi, durante três séculos, alvo de inúmeras incursões bélicas. Perdeu importância diocesana, ficou sem bispos residentes, posto que estes se refugiaram e passaram a residir em Lugo e Mondonhedo por razões de segurança da fronteira mourisca, a mesma que já fora romana e visigótica, linha que passava por Leão, Astorga, Amaia, Pancorvo, Miranda, Ávila, Araceli e Pamplona, sempre atentamente vigiada por astúres, cantábricos e bascos. Apesar de a instabilidade política, não se perdeu o culto religioso, o qual, sempre que possível, continuou vivo, destacando-se Maximinos, S.Victor, Dume e Montélios, igrejas que, em tempo de paz, eram visitadas pelo bispo em funções. Assume-se ainda que, a par daqueles, poderá ter havido anteriormente em Braga um templo de razoáveis dimensões, centralizador da veneração pelas relíquias e recepção de dádivas dos fiéis.
A recuperação da cidade no plano civil começou a registar-se no princípio do século XI, cimentada pela conquista de Coimbra por Fernando o Magno, o que teve por consequência a deslocação para sul da fronteira com os reinos muçulmanos; a restauração religiosa ficou a dever-se à acção de Sancho II de Leão, o qual designou, em 1071, D. Pedro para o cargo de bispo responsável pela reposição da diocese bracarense.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

No século XII a Igreja Católica possuía enorme poder na Europa ocidental. Era o elo que ligava as pessoas, que as fazia sentirem-se pertença dum lugar e dum credo. A força do Papa era suficiente para confirmar ou apear reis do respectivo trono. A excomunhão que arrastava consigo as labaredas do inferno, foi usada a torto e a direito, o que, se assustou os proscritos ao princípio, rapidamente se transformaria em coisa efémera, destinada a deixar de funcionar logo que tanta religiosidade fosse suplantada pela razão. A Igreja romana era a única entidade socialmente estruturada naquele tempo: por toda a Península Ibérica se espalhavam igrejas, conventos, mosteiros, abadias, todas organizadas em dioceses, metropolitanas as mais importantes, sufragâneas, as menores. Eram tão relevantes as dádivas de reis e nobres, que bispos e arcebispos das principais daquelas combatiam entre si, como se de pelejas contra os muçulmanos se tratasse. No mesmo sentido ia a posse das relíquias. Era enorme a concorrência que as igrejas mantinham pela posse de relicários. Na Idade Média, quantas mais as relíquias de apóstolos ou de santos, maior a importância do templo.
Recuemos agora cera de mil anos.
Consta que logo após a crucificação de Cristo, no ano 33, o apóstolo Iacobo Maior decidiu evangelizar a Península Ibérica. Pela Hispânia se diz que andou 6 anos e que alguns milagres terá feito. Certo é que a população não o levou muito a sério, escarneceu do cristianismo que o rebaptizado Tiago pregava, posto serem à altura pagãos e adorarem os seus próprios deuses, alguns anteriores inclusivamente ao domínio romano, remontando ao período em que os Lusitanos haviam ocupado grande parte da Ibéria.
Frustrado por não conseguir converter os habitantes da Península Ibérica, Tiago voltou a Jerusalém, na Judeia, no ano 42. Em má hora o terá feito, pois, logo no ano 44, por ordem do rei da Judeia, Herodes Agripa, foi decapitado por alegada traição ao judaísmo.
Cerca de oitocentos anos mais tarde, em 829, o bispo Teodomiro encontrou, no monte Lebéron, em Padrón, na Galiza, um túmulo que foi associado ao santo. Como chegou cá, se morreu tão longe, em Jerusalém? Diz a lenda que Tiago teve dois discípulos que, em segredo, embarcaram no porto de Jafa e fugiram Mediterrâneo fora com uma arca contendo o corpo do santo, vindo a desembarcar no noroeste ibérico.
Ao abrir a arca, tantos séculos passados, o bispo encontrou cinzas, pó, uns pelos da barba, alguns pedaços de ossos, mas não a cabeça. Ainda assim, Teodomiro levou as relíquias do santo para Iria Flavia, que era, à ocasião, a diocese compostelana.
(Continua)
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