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A nova temporada de contos iniciou-se sob o signo da continuidade do projecto, que viu confirmado o seu alargamento para 24 histórias. Assim, decidimos redimensionar este novo ciclo que ora se inicia, adaptando-o ao calendário escolar, isto é, será composto por nove unidades mensais, terminando em Junho de 2018.

Ousar (re)começar é bom princípio, e foi com prazer que revimos novos e menos novos participantes, com a certeza que cada um aporta sempre uma dose de enriquecimento para todo o grupo. Bem-vindos.

 

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Da experiência recolhida na temporada pretérita, concluimos que o planeamento dos contos requer alguma flexibilidade, posto serem tão distintos os conhecimentos das crianças, quão diversa é a sua idade. Também a evolução da cronologia histórica porque pugnamos se afigura meramente teórica, postas as dificuldades pontuais em todos estarem sempre presentes. Manterei uma linha de orientação que nos levará a analisar os mais importantes acontecimentos da nossa História, porém não mais do que isso. É que nem por sombras pretendemos comparar a sala de contos à escola: a esta vai-se por formação e desenvolvimento; àquela, por divertimento; a ambas, pelo prazer de saber mais.

 

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O conto VII transportou-nos ao tempo de Viriato e à fabulosa luta das tribos hispânicas contra o emergente poder romano. Todavia, houve que promover prévias explicações relativas ao entendimento da era a.C., algo que as crianças maioritariamente desconheciam, sobretudo o mecanismo da contagem decrescente:

-- E como é que um humano do ano 100 a.C. sabia que Cristo nasceria dali a 100 anos? Como contavam esses homens a evolução do seu próprio tempo? E será que em todo o mundo se contabiliza o tempo de idêntica forma?

Perguntas feitas, respostas dadas, audiência esclarecida... e algo estupefacta. É assim que se cresce.

Os contos e a respectiva factologia continuam a fazer parte deste blog, e estão disponíveis para os interessados.

 

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O desafio "Descobre o Vocábulo" foi alvo de alteração que procura promover um maior equilíbrio entre os participantes. Assim, estarão a concurso dois escalões etários: dos oito aos dez anos, o primeiro; onze e doze anos, o segundo. Sendo que as questões serão as mesmas, haverá dois vencedores finais, desde que o mais bem classificado no grupo dos onze e doze anos obtenha pontuação idêntica ou superior ao líder do escalão dos oito a dez anos. Se tal não acontecer, o vencedor único será o último dos referidos anteriormente.

Na sessão em análise, acertaram praticamente todos naquela que foi a prova mais simples, posto não contabilizar léxico anterior. Porque a elas voltaremos a título de memorização em futuros contos, aqui ficam os vocábulos mencionados no conto VII:

 

Ardil = Artimanha
Parlenga = Discussão

 

 

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A reflexão final desenvolveu-se à volta do ser lusitano e da figura de Viriato. Terão os portugueses de hoje raízes nas mencionadas tribos da antiguidade? A figura do caudilho é portuguesa ou espanhola? Ibérica, é-o, certamente.

O próximo conto mostrar-nos-á como o poder romano se alargou ao ocidente peninsular; o que um rio e um pôr-do-sol podem ter de míticos.

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publicado às 00:02

Conto VII: "A Guerra Lusitana" - Factologia

por Eduardo Gomes, em 15.10.17

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A partir do século VI a.C. Roma começou a assumir-se como uma nova potência. Rapidamente anulou o domínio etrusco na cidade do Lácio e avançou para o controlo do mar tirrénico e das regiões meridionais da Península Itálica. Estavam criadas as condições para atingir o objectivo seguinte: a conquista do Mediterrâneo ocidental, a que se juntaria o norte de África. O ritmo lento, contudo seguro da expansão, anunciava a implantação de um emergente poder: o “Império Romano”. Uma realidade territorial assente em bases político-administrativas inovadoras e uma economia globalizada, permitiram a imposição de uma matriz cultural comum aos povos conquistados, cuja aplicação, ainda que sob diversidade ética feita com respeito pelas tradições locais, se pode considerar um enorme sucesso.

Os exércitos romanos comandados por Cneio Cornélio Cipião, chegaram a território ibérico, mais concretamente a Emporion (Ampúrias), cidade basca, ao tempo colónia massaliota, no ano 218 a.C., no âmbito da contenda que travavam com os Cartagineses, naquela que ficaria conhecida por “II Guerra Púnica”. A distribuição geográfica – algo normalmente pouco consensual entre os historiadores – dos diversos povos na Península era então constituída pelos Vascões, Cântabros, Ástures e Galaicos, na costa atlântica setentrional entendida na direcção este-oeste; na meseta predominava uma das “nações” mais poderosas, os Celtiberos, amálgama de tribos que confinavam na Carpetânia com os Vaceus. A sul destes encontravam-se os Vetões. Os Lusitanos ocupavam a região litoral, entre Douro e Tejo. Mais além, na área a que hoje se designa, grosso modo, o Algarve, encontravam-se os Cónios, herdeiros dos Cinetes, e, na Bética, os Turdetanos, sucessores dos Tartéssios. Nas margens do Guadiana encontravam-se algumas tribos Celtas. Refira-se ainda que, a partir de 237 a.C.os exércitos Bárquidas (e também os mercadores cartagineses interessados no comércio e na exploração das minas de metais preciosos) não só dominavam territórios que haviam sido seus anteriormente, onde se compreendia Gades e Nova Cartago, como se haviam expandido para as montanhas da meseta, da Lusitânia à Celtibéria, embora não fosse a conquista ou a ocupação permanente o luzeiro que os iluminava. O poder cartaginês não procurava hostilizar os povos indígenas, e a prova de tal encontra-se nos contingentes de mercenários, sobretudo celtiberos, que lhes engrossavam regularmente a hoste, na qual também avultavam os soldados Libifenícios, o que permitia aos púnicos combater os romanos a partir da Ibéria.

 

 (Continua)

 Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

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publicado às 00:01

Conto VII - "A Guerra Lusitana"

por Eduardo Gomes, em 15.10.17

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Longe vinha o nascimento de Cristo. A contagem do tempo ainda se fazia, no ocidente, pela fundação de Roma que, cálculos feitos por baixo, teria uns cinco séculos à ocasião. Não havia muito que a Ibéria fora palco de guerra alheia. Seis décadas, tão-só. Quiçá aos vencedores conviesse o pretexto que uma insignificante colónia grega lhes fornecera; porventura o ouro da Bética os atraísse. Irrelevante. Certo é que o Império ali se instalou. Durante seiscentos anos as legiões militares calcorrearam as inovadoras calçadas, impondo aos nativos um inédito conceito de organização social e administrativa. Ofereceram-lhes em troca o acesso a uma fascinante cultura. Quando o tempo se escoou e os Bárbaros tomaram conta do lugar, restava apenas população romana nascida na Hispânia.

Mas não foi sempre assim. Recuemos ao ano 155 a. C.

Púnico era, ao tempo, o chefe da mais forte das tribos de Lusitanos. Asdrúbal, braço direito daquele, cartaginês de sangue , mostrava-se pensativo:

– Os Romanos não vão parar enquanto não subjugarem todos os povos. As expedições vão conquistando mais e mais terra, sobretudo desde que dividiram a Hispânia em Citerior e Ulterior e para aqui mandaram dois governadores militares.

– Trocam-nos todos os anos, e cada um que vem é pior do que o anterior.

– Pois se matam, também morrem – assegurava rispidamente Asdrúbal. – Somos gente que não se rende sem lutar.

– Outrossim o são os Celtiberos, não há por que duvidar.

– Devíamos enfrentá-los antes que seja demasiado tarde.

– Recordo-te que os últimos vinte anos foram de relativa paz – reconvinha Púnico.

Todavia o privado não estava pelos ajustes:

– Qual paz, qual carapuça; guerreiro que se preze deve atacar e pilhar as cidades que se submetem a Roma.

Prudente e ponderado, Púnico insistia em ver os dois ângulos de qualquer guerra:

– E como agressão atrai agressão... Porém, admito que a razão está do teu lado: há que combater Roma. Envia mensageiros às tribos amigas, em especial aos Vetões, para que venham juntar-se ao nosso exército.

– Que lhes dizemos?

– Que vamos atacar o Cineticum e a Bética. Também nós precisamos de mais e melhores terras.

– E saques... e pilhagens – parecia saborear por antecipação o já então excitado Asdrúbal.

A campanha não correu mal para os Lusitanos. Emmentes, a Púnico sucedeu Césaro. Em 152 a. C. os Romanos suportavam não só as investidas daqueles, mas também as dos Celtiberos, Dois anos mais tarde decidiram testar os inimigos, contra-atacando em força. Sorte diferente tiveram, pois enquanto Lúcio Licínio invadia território dos Vaceus com êxito, o exército de Sulpício Galba foi desbaratado pelos Lusitanos. Contudo, não fora para se desonrar que o romão viera ao ocidente. Na Primavera seguinte, a partir da Turdetânia, ambas as hostes se uniram para enfrentarem os Lusos. Foram enviados emissários a Galba, lembrando-lhe que o anterior responsável pela Ulterior, Marco Atílio Serrano, havia assinado um pacto de não-agressão com as tribos locais.

Césaro mandou chamar Asdrúbal:

– O governador propôs-nos a paz. Diz que sabe o quão pobre é o solo da nossa região e promete-nos terras agricultáveis se declararmos a lealdade a Roma.

O adjunto, desconfiado, contestou:

– O Galba faz promessas, e promessas leva-as o vento. O romano quer que entreguemos as armas. Acho que não deves aceitar as propostas.

– Mas o nosso exército está cansado e, nos últimos tempos, quase sempre derrotado. Combatemos há cinco anos. Os homens anseiam pela paz. Porventura não devamos perder esta oportunidade.

 

(Continua)

 

Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

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