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O conto de hoje foi dedicado a um dos mais importantes reis da História de Portugal: D. Dinis.

Apesar de as muitas estórias -- quiçá lendas e supostos milagres --, folclore atribuído ao seu reinado, muito o monarca contribuíu para a afirmação do Portugal medieval. As medidas estratégicas tomadas por Dinis em prole da preservação dos cavaleiros templários e da sua incomensurável fortuna no interior do reino, deveriam fazer parte da obrigatória pesquisa que o plano de marketing de qualquer moderna grande empresa suscita.

 

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A reflexão à volta de um conto algo esotérico, levou-nos a ponderar temas teológicos (terão Jesus Cristo e Maria Madalena gerado descendência?), bem como teorias bem mais temporais, tais como a discussão se o pinhal de Leiria foi ou não mandado plantar por D. Dinis. Saber que o não foi, constituiu um ponto alto da reflexão pós-conto, e a respectiva revelação... uma descoberta.

No próximo conto conviveremos com ratos, pulgas, piolhos e bichos-da-seda. Por trás, um flagelo que levou à morte de cerca de 100 milhões de pessoas em toda a Europa entre 1346 e 1353.

 

 

CONCURSO DESCOBRE O VOCÁBULO

 

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As palavras hoje apresentadas foram:

 

Desígnios

=

Projectos

Patranhas

=

Mentiras

Animadversão

=

Ódio

 

...lista a que se juntam as anteriores

 

Ardil

=

Artimanha

Parlenga

=

Discussão

Açodar

=

Apressar

Burleta

=

Farsa

Valhacoito

=

Abrigo

Cogitar 

=

Pensar

Desarrazoados

=

Despropositados

Deambular 

=

Passear

Vitualhas

=

Alimentos

Alazão

=

Cavalo

Pacto

=

Acordo

 

Nota: Relembro que quatro dos dezasseis termos acima serão alvo do questionário "Memória dos Contos Anteriores" na próxima sessão a realizar no dia 10 de Março.

 

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Ao fim de  cinco contos, os mais bem classificados são:

 

João Machado

155

Pontos

Maria Lorena

145

"

Lourenço Pinto

105

"

 

Faltam quatro contos (talvez tenhamos em Junho -- data do último conto da presente série-- uma muito agradável surpresa). Até lá acompanharemos a estupenda competição entre os primeiros classificados, que, enfatize-se, acabaram de fazer nove anos.

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publicado às 00:02

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TEMÁTICA: D. DINIS E A EXTINÇÃO DA ORDEM DO TEMPLO

 

Dinis ascendeu ao trono ainda jovem, com a idade de 17 anos, embora, logo a partir do meio do ano anterior – 1278 – exercesse de facto o poder em nome do pai, já então bastante doente. Na sua formação cultural muito influíram os sacerdotes Emérico d' Ébrard e Domingos Jardo, para além do avô, o monarca castelhano Afonso X, cognominado, com alguma razão, de O Sábio. Os reais aios foram Lourenço Gonçalves Magro, um terceiro neto de Egas Moniz, e Nuno Martins de Chacim, meirinho-mor do pai, Afonso III, encarregado pela justiça real desde 1264, um Rico-homem, que viria a ser mordomo-mor de Dinis entre 1279 e 1284.

Diversas fontes especulam acerca da possibilidade de Dinis ter efectuado, na companhia de alguns cavaleiros portugueses, uma viagem à Normandia, às cortes provençais onde os templários haviam fundado castelos, comendadorias e perceptorias, em locais como Caubedec em Caux, Valcanville, La Rabelle, Baugy, Courval, Louvagny, Voismer, Saint-Vicent-des-Bois, Saint Vaubourg ou Villedieu-la-Montagne, sem esquecer Gisors, aquela que mais focada é por quem defende a teoria da busca real se ter processado em direcção ao esoterismo templário.

A ser factual, não se conhece a razão para tal deslocação. Certamente que ao infante português terá sido exposta a igreja colegial de Gisors, notável na sua arquitectura, que, ao tempo, seria mais gótica e menos flamejante e renascentista do que se revestiria a partir do séculos XVI. O templo havia sido erguido no âmbito do projecto das confrarias de monges-construtores, e consagrado pelo papa Calixto II, em 1119, para, quatro anos volvidos, ser alvo de um incêndio que lhe devastou a nave. Efectuados os trabalhos de restauro na segunda metade do século XII, foi o coro gótico consagrado em 1249. Também o espírito curioso do infante se deve ter sentido recompensado ao verificar que nas catacumbas da igreja existia uma sala com a imagem de Santa Catarina do Monte Sinai, tanto quanto uma rede de túneis subterrâneos ligava o templo ao castelo de Gisors.

Seguindo os mesmos relatos, ali terá contactado Dinis com Guillaume, senhor de de Gisors. Não sendo límpido – e muito menos garantida a sua veracidade – o teor das conversações havidas, imagina-se que o francês tenha explicado ao real hóspede a essência duma organização secreta criada em 1099, na abadia de Santa Maria do Sião, construída sobre o cenábulo onde se crê que Jesus Cristo tenha reunido os apóstolos para a Última Ceia. Terá também o anfitrião referido a importância da tomada de consciência do grupo de cavaleiros que a Jerusalém se deslocou, liderados por Godfroi de Bouillon, ao contactarem com a guarda do Santo Sepulcro, vigilância feita por sacerdotes coptas, cujo entendimento e práticas cristãs assentavam no primitivo cristianismo, as quais em muito diferiam dos princípios praticados pelos cavaleiros europeus. Mais terão estes sido surpreendidos pela erudição e espiritualidade da cultura islâmica, pela importância do cumprimento dos preceitos de pureza que tal credo propunha. Em causa estava tão-só o entendimento da letra e espírito das escrituras sagradas: a crença ortodoxa, exotérica ou pública; em oposição à fé heterodoxa, esotérica ou privada. Na verdade, poderão os “apóstolos” das modernas e rebuscadas teorias acerca do chamado Priorado do Sião, estarem a “transferir” a prática e o por demais evidente e místico esoterismo templário para si próprios.

Entre 1158 e 1160 o castelo de Gisors esteve à guarda dos templários, enquanto penhora do casamento de Margarida de França e do filho do plantageneta Henrique II de Inglaterra. A partir daquela data, a região ficou sob domínio inglês, ao cuidado da Ordem do Templo. "Por aqueles tempos os cavaleiros do Templo (eram) parte reconhecida da legalidade política sujeita à (poderosa) ortodoxia eclesial (...)" Por conseguinte, não eram marginais aventureiros, arruaceiros e salteadores desafiando qualquer autoridade, tampouco santões, profetas e adivinhos por conta-própria: eram reconhecida Milícia Regular da Igreja composta por cavaleiros de nobreza universalmente reconhecida, logo, de acesso livre a qualquer trono, a qualquer corte, assim como a quaisquer paços episcopais, para não dizer, ao próprio Papa.

Seguindo a linha de orientação assinalada, Guillaume terá esclarecido o português acerca do sucedido em 1188, quando o seu avô, Jean de Gisors, vassalo do rei de Inglaterra ao tempo, ali estabeleceu as pazes com o rei de França, sob mediação dos templários, processo que ficaria conhecido por “pazes do olmo”. Certamente terá aludido à traição perpetrado pelo, ao tempo, grão-mestre dos Cavaleiros do Templo, Gerard de Ridefort, acontecimento que requer explicação a condizer. Ridefort havia chegado ao cargo de grão-mestre da Ordem do Templo no início de 1184, altura em que o reino de Jerusalém atravessava forte crise desencadeada pela doença de Balduíno V, o qual não possuía descendência. Os candidatos à sucessão eram Guy de Lusignan e o conde de Tripoli, Raimundo III. Outrora Ridefort solicitara a mão da filha do conde que lha recusou. Detentor do poder pelo cargo que recebera, o templário aliou-se a Lusignan. Saladino apercebeu-se da profunda divisão entre os cristãos e derrotou-os na batalha de Hattin, que lhe abriu caminho para Jerusalém. Visto por este prisma, não é límpido que não se esteja a confundir vingança pessoal com traição.

Já o denominado “corte do olmo” poderá não ter passado da separação de poderes e competências entre as confrarias de monges-construtores – pedreiros, arquitectos ou canteiros – e a Ordem do Templo. Talhadas na madeira e esculpidas na pedra, eram facilmente compreensíveis os sinais heterodoxos da doutrina esotérica dos templários que as confrarias haviam adoptado e legado ao futuro. Resulta daqui que ao promovermos uma qualquer espécie de ligação secreta (mesmo que somente até 1188) entre os Templários e o suposto Monastério ou Priorado do Sião, poderemos estar a confundir História com romantismo modernista.

 

(Continua)

 

Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

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CONTO XI - "Os Pobres Cavaleiros de Cristo"

por Eduardo Gomes, em 04.02.18

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Dinis Afonso nasceu em 1261. Aos 16 anos, já maior de idade, teve uma conversa com o rei, seu pai:

– Gostaria de ir conhecer as cortes de França.

Afonso III havia vivido e servido o monarca francês, enquanto conde de Bolonha, pelo seu primeiro matrimónio com a condessa titular, Matilde II. O pedido do filho mais velho pareceu-lhe normal atendendo à curiosidade intelectual que Dinis vinha manifestando:

– Acho bem que vás conhecer alguma coisa do mundo que fica para lá da Península Ibérica, quiçá até a Borgonha, raiz da nossa dinastia. Leva contigo aios e escolta a condizer com a tua posição de herdeiro do trono de Portugal.

– Estava a pensar levar só o Lourenço... D. Nuno está velho para tais andanças.

– Mas é sensato, e, ademais, não me parece bonito que desprezes o meu meirinho-mor.

– E não desprezo... de todo que o não faço. Conto até com ele para me servir como mordomo-mor quando for rei... mas para viajar é que...

O rei não estava para grandes discussões e logo deu por encerrada a conversa:

– Pois se tanto confias nele, não há razão para não o levares contigo.

 

Como qualquer pai, Afonso tinha um grande carinho por todos os filhos, mais a mais por aquele, a quem tinha sido administrada educação esmerada para um dia vir a reinar. Contudo, a juventude necessita da experiência dos mais velhos para não cometer erros. Nuno Martins de Chacim era um Rico-homem, grau mais elevado da nobreza, embora, à ocasião, já as cãs se lhe notassem, pois havia entretanto passado dos sessenta anos. Por seu turno, Lourenço Gonçalves Magro, bem mais novo do que aquele, fidalgo também de elevada estirpe, descendente de Egas Moniz, havia sido o encarregado da educação de Dinis. O que Afonso III não sabia era que a curiosidade do filho se dirigia para as Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos pelos Templários. Para tanto interesse, muito havia contribuído frei Beltrão de Valverde, mestre templário em Portugal, que havia instigado o infante a ir conhecer em detalhe a enigmática cavalaria.

 

Dinis partiu para França, e, logo à chegada ao castelo de Gisors, foi recebido por Guillaume, senhor da localidade. O francês tentou explicar ao infante as origens da Ordem:

– A fundação da Ordem deve-se à insistência de São Bernardo, primo de Afonso Henriques, em convencer os nove originais confrades de Cluni, todos irmãos de armas, a irem a Jerusalém, em 1118, para fundarem uma Milícia de Cavaleiros-Monges, que, por gentileza de Balduíno II, sicou sediada no que restava do primitivo Templo de Salomão...

Porém, logo Dinis interrompia:

– Sim, sim, isso já eu sabia. O que eu queria era...

O infante não conseguiu prosseguir, pois, Nuno Chacim simulou tossir, o que foi entendido que Dinis poderia estar a ser indelicado com o seu anfitrião, que aproveitou para continuar o que antes iniciara:

– O fundador da Ordem dos Cavaleiros do Templo foi Hugo de Payens; a missão oficial era a de proteger os caminhos de peregrinação da Cristandade nas estradas que levavam a Jerusalém.

– Oficial? Que quer isso dizer? Que os Templários possuíam outro objectivo? – Dinis sabia perfeitamente onde queria chegar. Guillaume sentiu que tinha de aprofundar o esclarecimento do que afirmara:

– Existem entre nós e os Templários algumas diferenças de opinião quanto a esse tema.

– Continuai! – Ordenava o infante, satisfeito por ver o rumo que a conversa levava – e não vos esqueçais de explicar quem são esses “nós” de que falastes.

O senhor de Gisors percebeu que, apesar de jovem ainda, o português recebera uma boa educação e daí tanta curiosidade.

– Logo a seguir à Primeira Cruzada, em 1099, um conjunto de cavaleiros fundou uma Ordem secreta em Jerusalém, no local onde acreditamos que se celebrou a Última Ceia de Cristo.

Lourenço ficou algo nervoso com a explicação que acabara de escutar. O educador do infante era um homem muito culto, e bem sabia onde Guillaume queria chegar.

Por tal, decidiu interromper, dirigindo-se directamente a Dinis:

– Vossa Alteza deverá saber que não existem Ordens secretas, e tudo o que Guillaume disser daqui para a frente carece de provas.

– Lourenço, és um chato. Vim de tão longe aqui para saber o que em Portugal ninguém ousa discutir... e não te preocupes, pois bem sei que não há certezas dessa tal organização secreta. Continue, senhor de Gisors!

– Os cavaleiros de que falei não podiam pedir a legalização da Ordem, pelo simples motivo de que se opunham aos desígnios do papa. Têm por objectivo a protecção da descendência de Jesus Cristo, que passou pelos reis da dinastia merovíngia.

Porém, logo Dinis replicou:

– De que raio falais? Da descendência de Jesus Cristo?

– Sabei que sim, que Cristo era descendente do rei David de Israel, e que, com Maria Madalena deixaram descendência que a Igreja Católica e os poderosos nobres que governam França pretendem liquidar.

 

(Continua)

 

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