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Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.

CONTO III
A LUTA PELA INDEPENDÊNCIA DO CONDADO PORTUCALENSE
FACTOLOGIA
AS VICISSITUDES POLÍTICAS
Entre 1071 e 1073, Afonso VI retomou a unidade territorial que o pai, Fernando I, o Magno, auferira em vida, isto é, Castela, Leão e Galiza, sendo que a última abrangia todo o ocidente peninsular até às margens do Mondego. Em 1085 o leonês tomou Toledo aos muçulmanos, movendo para o Tejo a fronteira do centro peninsular.
Em 1087 ou talvez um pouco antes, Raimundo, senhor de Amous, filho de Guilherme I, conde de Borgonha, chegou a Leão. Trazia por missão a defesa da Cristandade e da terra que em parte continuava nas mãos dos muçulmanos. Notabilizou-se ao serviço de Afonso VI, e, fosse por isso ou pela linhagem, pronto o rei lhe concedeu a magistratura territorial da Galiza, bem como a mão de Urraca, sua filha legítima. Mais tarde chegou Henrique, também ele borgonhês, familiar dos respectivos duques. Na distribuição das filhas do monarca leonês, coube-lhe a mão de Teresa.
Em 1093 Afonso VI mandou atacar Lisboa, Sintra e Santarém, ou antes, recebeu-as de mão beijada, conforme acordo com o até aí seu proprietário, o emir de Badajoz. Os almorávidas deveriam pagar a factura apresentada por Al Mutawakkil. A nova linha de fronteira, isto é, a Reconquista chegava-se a sul, acompanhando o grande rio ibérico.
As terras então conquistadas passaram a condado, cujo governo foi confiado a Soeiro Mendes da Maia, sob a autoridade de Raimundo. Este ficou com a superintendência geral sobre a Hispânia ocidental, desde a moderna Galiza até ao extremo das conquistas, agraciado ainda com o título de Totus Galeciae Princeps, tendo por subalternos governadores de circunscrições menores. O cargo significava o sucesso de Cluny na política de colocação dos seus protegidos. Assegurar a continuidade das contribuições em metais preciosos oferecidas por Afonso VI, justificava a preocupação pela manutenção da influência que os monges negros haviam alcançado na corte leonesa. Raimundo herdava poder e dores de cabeça, que nem sempre encontraram consolação no apoio que lhe davam os portucalenses senhores da Maia e Ribadouro.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.
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