Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.

Corria o ano 710 quando Rodrigo foi entronizado rei dos visigodos. Vitiza, o anterior monarca, fora derrubado através dum golpe sanguinário. Posto que o sistema de sucessão entre os visigodos assentasse no mais forte e capaz, Evânio, filho de Vitiza, acabou por aceitar a eleição daquele de quem se dizia haver sido o algoz, isto é, o executor do assassinato do pai.
Ao princípio da noite, durante a cerimónia da coroação, apareceu no céu um cometa. Era enorme: a cabeleira cintilante ocupava grande parte do firmamento; o corpo parecia um rio de enxofre em fogo. Muitos entraram em pânico, crendo que era o fim do mundo, imaginando as mais horrorosas catástrofes: que o céu ia desabar sobre a Terra; que os mares engoliriam as cidades; e tudo o mais que os medos e a imaginação dos homens concebe. Nas igrejas, as gentes rezavam implorando a Deus a salvação e o perdão dos pecados. Porém, tão depressa como aparecera, assim se sumiu o cometa. O céu serenou, as pessoas deram graças ao Senhor, e a festa recomeçou como se nada houvesse sucedido.
Havia, contudo, alguém que não ficara descansado: Rodrigo, o rei. Acreditava que o céu lhe mandara um sinal, como que a dizer que a ruína cairia brevemente sobre os seus territórios.
Aterrorizava-se o rei com a ideia que o filho de Vitiza o pretendesse matar. Certo era que tinha os seus partidários, porém, o que Evânio mais queria era que se encurtasse o período de luto pela morte do pai, para poder casar com a sua apaixonada Florinda. Todavia o destino parecia querer discordar de tal desejo, pois, logo após o período de respeito pela memória do progenitor, justamente quando se ia anunciar a boda, morreu a mãe da noiva. Florinda tomou-se de tal dor que se negava a qualquer tipo de consolo. O tempo é, por norma, bom conselheiro, e a natureza acabou por suavizar as penas de quem tanto sofria. Aos poucos, Florinda regressou à vida e ao afecto pelo amado. De novo Evanio solicitou que se efectuasse o casamento o mais rápido possível.
Aconteceu que se o homem põe, Deus dispõe. Assustado com a proximidade de tal enlace, Rodrigo acabou a confessar ao seu conselheiro desejar Florinda acima de tudo, e, por tal, ambicionar impedir-lhe a boda. Acrescente-se que por seu himeneu, isto é, casamento com Egila, estavam desaconselhadas ao rei aventuras amorosas que pudessem escandalizar a corte, o que era notório no caso de Florinda, pois a rapariga era filha do conde Julião, irmão do anterior monarca.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.