Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.

Em Toledo Rodrigo dava-se conta do perigo que representava para o seu reino a eventual retaliação do conde Julião, posto havê-lo nomeado guarda da porta do seu território em África.
Para se distrair, o rei anunciou que iria à caça. No dia aprazado a comitiva real partiu: a nata da aristocracia visigótica com seus cavalos, cães, cornos, trombetas, luzidias armas, todos em busca das presas que se faziam esquivas em se denunciarem.
De repente, um grupo de seis veados pareceu querer fazer-lhes negaças, deixando-se ver aqui, para logo desaparecer mais além. Vamos!, vamos!, gritava-se. Também Rodrigo foi em perseguição dum cervo, o qual parecia saber o caminho para casa, pois não hesitou em meter-se num cerrado matagal, correndo a esconder-se numa gruta. Temeroso do local, até o seu par de Saluki, variedade persa de cães de caça grossa, se deteve à entrada do rochedo, onde, dentro, imperava a escuridão. Posta a espessura e altura de tão enredados arbustos, o rei desmontou algumas centenas de metros atrás, tendo abandonado o cavalo e decidido trepar a pé pelo monte. Ali chegado, Rodrigo constatou que se tratava das ruínas de um antigo templo pagão. A gruta, que se estendia bem profunda, servira de apoio à antiga construção.
O lugar metia medo ao mais ousado, porém, rei que se preza nada receia: “Com a minha lança e os meus podengos, que me pode acontecer?”, interrogava-se para se auto-convencer a continuar a busca pelo veado que na gruta se abrigara. Mas nem os animais pareciam convencidos a seguir em frente. Pelo meio de tanta hesitação, eis que uma figura se chega à luz do dia, assustando o rei. Um velho de carnes ressequidas e longas barbas parecia querer impedir o visitante de dar mais um passo que fosse em direção à gruta. Rodrigo emudeceu perante o que inicialmente lhe parecera um fantasma. O ancião, voz segura, tom severo, disse:
– Mortal, que procuras? Que pretendes, assim, lança empunhada? Acaso és aquele que perseguia o meu cervo, a única companhia que possuo, enquanto me atarefo em evitar a destruição com que o destino ameaça a monarquia visigoda?
– Sim, sou eu quem perseguia o animal, mas tu, quem és? Tu que te atreves a predizer o fim do reino visigodo – respondeu o rei, ante o silêncio do velho que o mirou com desdém até se lhe voltar a dirigir:
– Chamo-me Adenulfo, e que aqui vivo vai para dois séculos. Velo pelo segredo que o meu antecessor aqui deixou.
– De que falas, ancião?
– Da arca que ao fundo da gruta guardo, a qual, aberta, arrastará a destruição, a morte e o fim da monarquia.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.