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Conto V: "De Taifa em Taifa no Al-Andaluz"

por Eduardo Gomes, em 18.06.17

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O VITORIOSO PELA GRAÇA DE DEUS

 

 

Abd Al-Rahman era um príncipe, neto do deposto califa Marwan I. Escapou com vida do atentado ocorrido na Síria, o qual vitimou toda a sua família, fugindo para a Península Ibérica, onde chegou em 756. Príncipe de sangue, logo se intitulou emir. Ali, uniu árabes, berberes, escravos e libertos, mais os antigos habitantes, os ibero-romanos, os judeus e germano-visigóticos, debaixo de um novo estado, cuja capital situou em Córdova. Estava criado o Emirado Independente no território do Al-Andaluz, tendo cortado, naturalmente, os laços que o espaço tivera com o califado de Damasco.

De muitas revoltas contra o poder central se fez o futuro peninsular, perpetradas por árabes, mas também pela aristocracia com poder regional. As diferentes facções muçulmanas que haviam conquistado a Hispânia estavam agrupadas por etnias e detinham poder significativo nos territórios que lhes haviam sido confiados.

Século e meio mais tarde, em 912, Abd Al-Rahman III subiu ao poder e teve de enfrentar forte oposição interna por parte de algumas tribos e também controlar a pressão da Reconquista cristã no norte da península. Vencedor em muitas daquelas ocasiões, achou-se com força para se intitular califa em 929. Desarticulava-se o mundo muçulmano; começavam a proliferar os califas.

 

No ano de 938, nasceu em Torrox, na região de Málaga, um dos mais fortes líderes militares omíada, Abu Amir Muhammad, mais conhecido por Al-Mansur Billah, o vitorioso pela graça de Deus. Estabeleceu-se ainda novo em Córdova como estudante de direito e literatura. Em 976 morreu o califa Al-Hakam, e sucedeu-lhe o filho, Hixam II, uma criança de apenas onze anos. Por desejo da mãe, Al-Mansur foi nomeado tutor do jovem. Dois anos mais tarde assumiu as funções de hájibe, isto é, primeiro-ministro. No ano seguinte, aproveitando uma conspiração contra o califa, obteve uma delegação de poderes absolutos por parte de Hixam II, que o nomeou defensor do califado.

A tirania governamental de Al-Mansur apoiou-se no afastamento e assassínio dos seus opositores. Diz-se que levou a cabo 57 campanhas militares contra os reinos cristãos do Norte, durante as quais nunca conheceu a derrota, fixando a fronteira ao longo do vale do Douro.

Para garantir os fundos que sustentassem a guerra, Al-Mansur procurou uma fonte de receitas e um apoio de retaguarda. Socorreu-se de algumas tribos africanas que lhe eram leais, atacou Marrocos e apoderou-se das rotas do comércio do ouro e dos escravos.

Em 981 o rei Ramiro III de Leão quis intervir nas lutas internas do califado, tomando o partido dos opositores de Al-Mansur, descontentes com a ditadura que impedia o comércio, esperando dali tirar dividendos territoriais. Vencedor, Al-Mansur invadiu o reino de Leão, conquistando Zamora e Rueda.

A derrota do monarca leonês foi mal recebida pelos nobres galegos e portucalenses que, logo no ano seguinte, decidiram coroar o opositor Bermudo II, filho de Ordonho, como rei da Galiza. Porém, em 984, aquele teve de pedir auxílio a Al-Mansur:

Ramiro tem com ele muitos dos nobres leoneses que se revoltaram contra mim. Não o consigo combater com as forças de que disponho. Preciso da tua ajuda.

Respondeu Al-Mansur:

Podes contar comigo sob uma condição: permitir que deixe um exército muçulmano em território cristão.

E assim foi. Claro que a nova situação era inaceitável e, no ano seguinte, morto Ramiro III, Bermudo, já rei de Leão, expulsou o exército mouro que nas suas terras acampara. Em Córdova Almançor sorriu: era o pretexto que procurava para atacar onde ninguém imaginava possível.

 

.

 

 

(Continua)

 

Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

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