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Projecto pioneiro de colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais, destinado a contar a História da Ibéria a crianças. Os contos são apresentados sob a forma de narrativas originais ou adaptadas do nosso património histórico-cultural.

Maomé, o grande pregador e profeta árabe, nasceu em 570. Viveu parte da meninice no deserto, donde lhe veio a sensibilidade para os grandes espectáculos da Natureza. Conheceu a orfandade, algo que o marcou ao ponto de serem várias as referências sobre o tema no Alcorão. Por volta dos seis anos foi viver com o tio, em Meca, exercendo o cargo de pastor. Ali pôde observar a importância religiosa de um antigo edifício sem janelas, a Ka'aba, no qual só existiam uma porta e uma câmara. À volta do local coabitavam cerca de 360 ídolos, os quais atraíam peregrinos das diversas tribos árabes, constituindo os seus donativos a maior fonte de rendimento local.
Mais tarde Maomé acompanharia as actividades comerciais do tio, que o aconselhou a que se incorporasse nas caravanas que seguiam para Bassorá e Damasco. O profeta acabaria casado com Khadija, a proprietária, mulher de cerca de 40 anos, rica e duplamente viúva. Da prole de ambos, só uma filha, Fátima, lhe sobreviveria.
Quiçá a estabilidade económica lhe tenha permitido dedicar-se a escutar as revelações de que afirmava ser alvo. Diz-se que foi numa das colinas que cercam Meca que o arcanjo Gabriel lhe ditou algumas das suras que se encontram no capítulo 96 do Alcorão. Na cidade ninguém se espantou com as profecias: afinal de contas, Maomé era mais um suposto mensageiro de Deus, tal como muitos outros, alvo fácil de blasfémia se necessário fosse para o fazer calar. E nem a citação de Alá incomodava, pois era o nome maior dentre os múltiplos deuses que os árabes evocavam. Contudo, em oposição às outras duas principais religiões monoteístas, os povos árabes não possuíam o livro da revelação, como judeus e cristãos, por exemplo. Maomé anunciou que Deus havia feito descerem dos céus 104 livros, nos quais incluíu o Alcorão, que assim se veio juntar aos únicos três ainda hoje existentes: a Lei, os Salmos e o Evangelho. O profeta acusou judeus e cristãos de haverem deturpado as escrituras antigas e daí as suas desavenças com as premissas do Alcorão. Dentre aquelas salienta-se a referência corânica à impossibilidade de Deus ter um filho: “Não há mais Deus que Alá”.
A questão dos ídolos -- politeísmo inaceitável ao profeta -- isolou Maomé e os seus prosélitos – cerca de uma centena de fiéis –, que, ante a oposição dos habitantes de Meca, se viram obrigados a fugir para Medina, a 20 de Junho de 622, data que passaria a considerar-se da Hégira, ano primeiro para os muçulmanos. Bem recebido na cidade que até ali se denominava de Yathrib, conseguiu, ao fim de nove anos, reunir um exército de dez mil crentes que converteriam nos anos e califados vindouros quase toda a Arábia, da Mesopotâmia à Síria; da Pérsia ao Egipto, incluindo a conquista de Meca, a cidade que o escorraçara anteriormente.
(Continua)
Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto, poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.
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