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TEMÁTICA: A PESTE NEGRA

 

O fenómeno registado em meados do século XIV, cognominado de “grande pestilência”, “grande mortandade” e “morte negra” (os nomes da época), não foi a primeira pandemia observada no ocidente. Outro registo existe cujo índice de gravidade fora semelhante àquele. Aconteceu 700 anos antes.

Muitas foram as teorias construídas ao longo dos séculos para identificar as razões para a dimensão da peste que se observou, com particular ênfase, na Europa, entre os anos 1347/53, a qual deverá ter varrido algo como cem milhões de vidas humanas. Sabe-se que também na Ásia Central muitas mortes ocorreram, sem, todavia, existirem números credíveis. A doença instalou-se no ocidente, abatendo-o em focos endémicos mais ou menos silváticos. Observe-se a enorme lista de anos pestosos documentados em Portugal até ao alvorecer da centúria de quinhentos: 1356, 1361-63, 1374, 1383-85, 1389, 1400, 1414-16, 1423, 1429, 1432, 1433, 1437, 1441, 1448-1453, 1456-58, 1464, 1472, 1477, 1497. Valeu que nenhum dos referidos surtos possuiu o carácter trágico da “Peste Negra”. Os efeitos nefastos continuariam a fazerem-se sentir pela Europa até ao século XIX, altura em que a erradicação do fenómeno foi possível graças aos avanços registados pela medicina.

Estudos realizados nos últimos anos por uma equipa de investigadores da Universidade de Oslo, permitiram concluir que a origem da peste não estará, ao contrário do que sempre se afirmou, nas ratazanas, antes nuns pequenos roedores, os gerbilos asiáticos. É um facto que a pandemia teve origem na Ásia, tanto quanto o seu veículo para chegar aos portos do Mediterrâneo foram os animais, mercadores e barcos que, por terra ou por mar, percorriam a Rota da Seda. A bactéria causadora da doença encontra-se hoje classificada como a Yersínia Pestis, a qual se julgava ter um reservatório nos parasitas (pulgas) das ratazanas negras. Certamente que a responsabilidade pela disseminação da doença lhes cabe, sobretudo por encontrarem nos barcos e nos portos as condições de higiene (falta dela) ideais para a respectiva propagação.

 

Quem transportou as pulgas de oriente para ocidente? Vamos por partes.

Sempre que a temperatura aumenta, os gerbilos asiáticos (A doença é originária do Extremo Oriente e da região curdo-cáspia, onde se situam os seus viveiros originais) fazem disparar a sua população, o que tem por consequência subir também a comunidade de parasitas. O dado é tão certo quanto o seu contrário, ou seja, a um decréscimo da temperatura, os roedores morrem. As pulgas, não podendo alimentar-se, rapidamente procuram outro ser onde encontrar a fonte de subsistência (parasitado). Dos gerbilos passavam para os camelos das caravanas na Rota da Seda, para os humanos que as conduziam ou para os bens que eram transportados. Um par de anos seria suficiente para que o ciclo de chegada da bactéria à Europa se fechasse. E, acreditam os investigadores, até ao século XIX, por dezasseis vezes se renovaria. Fica explicada a regularidade do fenómeno pestífero.

A bactéria Yersínia Pestis é transmitida ao homem quando este é picado por um pulga que previamente se houvesse alimentado do sangue de algum roedor infectado. A peste negra caracterizou-se como um quadro nosológico de três formas clínicas: a peste bubónica, a peste pulmonar e a peste septicémica. A primeira forma foi transmitida por pulgas e piolhos infectados, e degenerou, em larga escala, na segunda e, ambas, na terceira. A manifestação bubónica da doença conduzia à morte no espaço de cinco a dez dias após o período de incubação; a septicémica era absolutamente letal ao fim de três ou quatro horas após a inoculação; a pulmonar tornou-se na de maior gravidade devido à sua altíssima contagiosidade. A peste pulmonar disseminava-se num crescendo de progressão geométrica, visto que o contágio era feito através do ar. Dois dias de incubação da doença eram suficientes para que a morte ocorresse daí a 48/72 horas. Foi esta a forma de peste responsável pela catástrofe demográfica. Ainda assim, nem todos morriam. Cerca de metade dos seres humanos tornaram-se imunes, o que, só por si seria factor de erradicação da doença, por inexistência de meio onde se desenvolver... Mortas que estivessem as vítimas, e até à erupção de novas gerações, entenda-se.

 

(Continua)

 

Os pais / encarregados de educação das crianças envolvidas neste projecto poderão solicitar a versão integral do mesmo através do e-mail: asvoltasdahistoria@gmail.com.

 

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